segunda-feira, 17 de junho de 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

EM TEU SONETO


EM TEU SONETO 
Marco Bastos

Na lua do soneto em que me deito 
soneto que te crava mil palavras 
te sinto a pulsar dentro do peito 
nas águas onde lavas tuas lavras

em doce marulhar soneto feito 
teus versos se enroscam em letras bravas 
tu dizes 'mesmo assim', bem desse jeito 
como diz a que goza e manda às favas

quisera ser poeta em noite escura 
te ver num estrelar de céu de estrelas 
beber na tua língua - sal – lonjura

as letras que tu escreves, volto a tê-las 
para curar do escuro a que me cura 
o corpo ao navegar meu mar de velas.



Salvador, Bahia



sábado, 1 de junho de 2013

CRÔNICA À GUISA DO PRIMO_ROSO

Segundo ela, querida amiga, um pequeno elogio que já rendeu um Trívioletra, sendo conCertado, rs, e essa pequena Crônica sobre a sábia bestuntice do amor.

CRÔNICA À GUISA DO PRIMO_ROSO

Minha amiga, Priscila. Primo_Roso na minha família é o filho adotivo da tia Margarida Jardim, do segundo casamento com o tio Lírio Dourado. O primeiro casamento foi muito bem até a crise dos 7 anos, quando então se desquitaram por questões meramente existenciais. Não conseguiam mais chegar a um entendimento que diferenciasse SER de ENTE.

Depois de 5 anos de separados, numa bela manhã de setembro, por feliz coincidência do destino, os dois se encontraram fazendo compra de berinjelas na feira de Batatais. Entre uvas e amoras, logo constataram que para os dois, a separação amargava feito jiló.

Reacendida a paixão, e como a Certidão de Casamento já tinha caducado, resolveram entre si, e se casaram novamente no mês seguinte. Como ela levava a prole da produção SERiada do primeiro casamento e o Lírio apresentou o Roso da Horta, como ENTEado, acharam por bem consultar um Conselheiro Matrimonial muito competente, que logo lhes ensinou o mantra para evitarem um terceiro casamento.

E passaram anos na maior paz, seguindo a risca o conselho recebido: Quando pairava qualquer dúvida conceitual entre os dois, sem qualquer discussão, tia Margarida dizia: "Ser é Ser!". O Lírio então retrucava: "Ente é Ente!". Em coro, abraçados os dois concluíam em uníssono: "E o rabanete??? E o rabanete???" - e riam, riam, na sesquicentenária vez, como na primeira.

Marco Bastos 
rsrs.

domingo, 12 de maio de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

ESCABROSA ALUAÇÃO


ESCABROSA ALUAÇÃO

No canto da minha rua
ria Jeremias João 
Tião, puxando charrua
Ana, chicote na mão.

No canto canta a viola
O riso ri sem perdão
A paz viola a viola
O escravo mostra o facão. 

Passam dias sem sossego
Canção na mesma canção
Ana muxoxo e chamego
Tião suando no chão.

Vai um dia outro dia
no sol da libertação
a lua cantava e ria 
Cai Ana nua no chão.

Tião o facão afia
Mia um corte no bucho
Feijão o gato comia
Cobria Ana com luxo.

Cumprida a lida comprida
Jeremias sem viola
Ana perdida na vida
Tião num jogo de bola.

Marco Bastos.