quinta-feira, 28 de junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

MAR DE BEIJOS



SILENT VERSE


CINEMA COM PIPOCA E OUTRAS QUEZÍLIAS

Adoro pipoca, daquela zuma que fica do lado de fora da corda, e que vez por outra joga no povo do bloco umas latinhas vazias de cerveja. Adoro pipoca que no zôo eu ofereço prá ver se engasgo a avestruz, só porque, só porque a bichinha enterra a cabeça na areia e fica com aquele bundão do lado de fora. Tão sem foco, e nem podia ser diferente, porque os zóios estão lá a ver minhocas. No carnaval adoro a avestruz, porque dá pena e dá pena prá fazer voar os ombros das mulatas no ziriguidum-dum-dumb. Mas, me aceita aí porque nesse bloco vai ter pano prá manga. Alguns firmes de cinema e alguns frouxos. E nos firmes do Ankito, vou ter frouxos de riso, até molhar minha cueca. Quero ver bang-bang, quero ver sangue, com John Wayne pondo em prática a política de proteção aos silvícolas lá do norte, caçadores de bizão, onde se viu? Adoro cinema de mão dada na matinê do Cine Roxy, com a mineirinha que veio do frio, no bus de Caratinga, só prá ver a Doris Day, e acompanhar o papai que veio comprar o Pão-de-Açucar. E como o preço era alto, resolveu comprar uns brioches na Confeitaria do Colombo, e eu também gostei. Por favor, programe umas sessões com Sophia Loren, Brigite Bardot, Claudia Cardinale e Elsa Martinelli que não inventaram, ainda, nada melhor que La Violetera. Catherine de Novo, só se for com uma carioca numa tarde de Corcovado, mas não vou contar o fim do filme. Acho que foi o Paris está em Chamas, e não era nada de Rio 40 Graus, mas estava mesmo quente, e adorei Mireille Mathieu, pois sempre gostei de hit-parade e de hot-pirada. E lá fui eu e ela, adespois pruma pizza brotinho ali no Caravelle, com gelinho na Seven-Up, prá dar Blow-Up e não se sair de cena do filme do Godard, que falou mais arto que Gritos e Sussurros, de um tal de Breg_man e desbancou aquele chato Pasolini que firmou o Nikos Kazantzákis, Pobre de Deus! no paper de San Francisco. Nem sei porque não voltei lá no aviãozinho de Humphrey Bogart que voou prá Casablanca. Hollywood já foi pau-de-dar-em-doido até entrar um canastrão no governo da Coliformia. rs.

Marco Bastos

NOITE VAZIA







domingo, 24 de junho de 2012

VIAGEM DE TREM EM DEZENOVE POETRIX




VIAGEM DE TREM EM DEZENOVE POETRIX
(o trem, a estação, as paisagens, as circunstâncias...)

Trenzinho do Caipira - Heitor Villa Lobos

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Fora dos trilhos

ela me olha com aqueles olhos
de janela de trem
e eu em seus olhos, com olhar de arma_zen.


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Maria Fumaça

Doidinha como ela só
vai e vem na linha do trem
- lisinha nunca dá nó.

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TREM BALA


//Ô_[TRÊM]-/ /no[BALA]nço/ /do[ t_r_e_m]
.oo....OO.OO..! !...O............O..! !....o.........o...!!


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ENTRONCAMENTO
  
Na correnteza
truculento
tronco lento.


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era a vida

fogão a lenha, trem de ferro
ferro a brasa. estrelado era o balão
- e o peito nada sabia - sobre esperança!...

  
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Estanislau e Ponte Preta
  
quero paz e paçoca
besteirol de brasília
- sarau de poesia e pipoca...


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estrela da manhã
  
há madrugadas frescas
que não são verdes nem azuis.
- são brilho.


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Estrelas
  
Ora, menina,
se você nasceu sob esse céu,
que outra luz teria em seus olhos.


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 fim da pícada
  
na ponte. e agora seu Zé,
fim da estrada e não tem marcha a ré.
- tem fé! ...


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fluxo e refluxo

os ventos que levam a nau
aos portos-solidão,
sopram de manhã na contra-mão.


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LÉGUAS DO SEM FIM
  
O meu pé-de-moleque
navega as léguas do teu corpo
e só naufraga em teus riachos.


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Leopoldina 222
  
Leopoldina nocauteia
na cadeia o maquinista:
- vaporooosa!...

  
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letra corrida
  
nessa estrada,
não é ponto de chegada.
É de partida.


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mais leve que o ar

é sim, é sim,
também queria ver zeppelin
prá ficar assim, assim.


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MOVIVENTOS

galopa o galo no galho.
cricrila o grilo na greta.
no vento a mata gargalha.


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na primeira curva e mais além 

havia um certo abandono
no último vagão do trem...
- viajava uma certa melancolia.


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 off-road
  
o mundo muda
de moda em moda
e eu roda.


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PAR OU IMPAR

vou perder os meus medos
vou colocar a minha sorte
em seus dedos.


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Saudade
  
é mesmo uma coisa boa...
é um sapo andando de trem no deserto,
pensando na lagoa...


Marco Bastos


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O trenzinho do Caipira


terça-feira, 19 de junho de 2012

TAPETE DE FLORES



Minha querida amiga, Maria Inez. Diante do pps que me mandaste...
Hoy aqui estoy a cuestionar la universalidad de la fé. Si existe fé, si en habiendo fé de la gente, se hay aquellas más fuertes, más pungentes, e también otras menos fuertes, más debiles.
É que ni Xique-Xique , na Chapada, também fazemos dessas artes, tudo igual mas tudo muito diferente. Por pio exempio, ou pió do curió, i pela fúria da cúria quando encontra na internet algo meió do que lá se faz por iguais motivos e mesmas datas, - e ao que parece não por falta de oração e de prece, talvez por pressa, - la pequeña ciudad también se engalana.
A rua que liga a Capela à Matrix é lavada no dia anterior religiosamente. Muita vassoura, sabão e rodo na mão do povo todo. Fica um brinco, como ficou na última vez, ano passado, quando pelos mesmos bons motivos foi bem lavada. Mas esse ano, melhor lavada. A prefeitura cedeu ao sara-e-cura, um caminhão tanque e deu a festa por iniciada.
A meninada, e não só do catecismo, saiu às ruas e entrou na dança. Ia o homem com o esguicho e por capricho, a meninada também tomou seu banho - os de maior fé e coragem, oferecendo os próprios peitos para jatos d´água que os derrubavam.
Esse ano a festa está sendo mais concorrida. A igreja, em toda a sua bonomia e benevolência, mandou coroínhas ao acampamento dos hippies que acampam nas locas das ruínas da cidade antiga, onde fumam seus baseados e curtem a lânguida música do terceiro milênio - guitarras e pandeiros turcos, coloridos, em forma de lua crescente.
Pois bem, em que pese que alguns coroínhas ainda não foram localizados e a procissão desfilará com menos turíbulos, o coral com menos cantos, a expedição foi um sucesso.
Na lavagem da rua e das escadarias, aqueles cabeludos, exceto trinta e cinco por cento que estava em transe e assim continuou, meio sujos, é certo, compareceram em peso. Sentaram-se em círculo, posição de lótus, no largo que há em frente da Matrix, e lá cantaram como loucos de alegria, enquanto o esguicho lhes dava banho, ao comando do capitão do Corpo de Bombeiros: - Molha mais!; Molha mais!... Tudo muito pacífico e ordeiro, saíram felizes com a doação dos pentes que a prefeitura lhes ofereceu, com uma bula com o título: "Manual para estar bem penteado amanhã na procissão.".
A oposição denunciou que na maioria daqueles embrulhos, seguiam também para cada pente, duas camisinhas.
Ao ser questionado pelo clero, o prefeito foi à praça pública e se defendeu: Estão querendo que essa desgraça continue a empestiar nossa cidade? Nas estatísticas recentes, entre eles, há vinte e uma mulheres grávidas, sete menores de idade. E foi aplaudido com entusiasmo.
Ultrapassada a crise, mandou chamar Manoel das Letras, o melhor jornalista da folha semanal - O Trombone de Xique-Xique: da Chapada, para a Harmonia do Universo, e lhe encomendou duas manchetes com os respectivos dizeres garrafais: A primeira: XIQUE-XIQUE - PROCISSÃO ATRAI TURISTAS DE QUINZE ESTADOS. E a segunda : PELA FAMÍLIA XIQUE-XIQUEENSE, PREFEITURA NO COMBATE ÀS DROGAS SANEIA AS RUÍNAS.
A oposição não se deu por vencida e encomendou duas manchetes, em fonte não tão exuberante, porque a oposição ainda paga pelos seus anúncios na segunda página, com recursos que granjeia em Livro de Ouro: PREFEITURA PRATICA A EUGENIA, a primeira, ENCONTRADAS AS OSSADAS - CANNABIS CANIBAIS DE OUTROS ESTADOS.
Diante da polêmica o clero se calou. Estava garantido o sucesso da procissão. Todos os cidadãos mais conscientes comentavam nas esquinas: É o fim do mundo!; é o Apocalipse!, Quem diria, hein? Maria Eugênia está sendo praticada! E os passantes diziam: - Só falta mesmo o Bendengó!, e outros menos siderais,: - Rezemos, Oremos ao Senhor!...
De fato, procissão assim nunca se viu em XIQUE-XIQUE, nem mesmo em CABROBRÓ. Foi sucesso pleno a demonstrar que a Fé suplanta a Astronomia.
E agora volto a falar das diferenças. A rua estava mesmo linda. Não havia tapetes de flores, porque os Conselheiros não gostaram de vê-los pisados pelos padres e abades no pps da internet. - Tanto trabalho jogado fora, onde já se viu pisar obra de arte? - A defloração de quem não flore!... E convocaram as beatas, a mocidade e os secundaristas de Xique-Xique: Cada qual desse sua valiosa contribuição. Em cada esquina ou encruzilhada, nos quatro cantos, deveria ter três jarros com vistosas flores. Nas janelas abertas, pelo menos um buquê para cada janela. E assim se deu. Digno de nota, somente que todos os jarros com "Comigo Ninguém Pode" foram às pressas retirados, por se tratar de planta venenosa, e os que continham "Espadas de São Jorge", por não ser a festa dos ibejis nem dos caminhoneiros.
Marco Bastos.
Na Itália - Ruas com tapetes de flores. Beleza indescritível.
Clicar em "APRESENTAÇÃO DE SLIDES" , depois clicar "DO COMEÇO"

sábado, 9 de junho de 2012